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56 X AMOR

29/07/2009
Nunca me queixei por trabalhar aos sábados, mas gosto que especialmente neste dia as coisas sejam diferentes. Nos finais de semana até mesmo a respiração parece ficar mais leve, então, por favor, não me dê números porque eu quero histórias.
Bom, naquela manhã eu ouvi uma que me fez refletir muito…
Era julho e o dia estava lindo. Dias ensolarados me deixam feliz. Cheguei na redação, peguei minha pauta e saí com a equipe rumo a casa de um senhor de 82 anos que acabara de se formar médico.
Seu *Júlio me encantou desde o momento em que abriu a porta. A doçura e o sorriso alegre me fizeram lembrar como era bom quando eu ainda tinha meu avô. Ele apareceria na tv pela primeira vez e acho que estava inseguro, mas relaxou a medida em que conversávamos. Bom, eu poderia mesmo focar minhas observações apenas no feito deste homem, mas o que me chamou a atenção vai além da coragem admirável que teve. Ao saber mais sobre rotina dele nesses seis anos de faculdade, entendi que tudo aquilo só foi possível porque além da garra, ele tinha alguém ao lado. Dona *Lola, de 79 anos, que mantinha uma beleza impressionante.
Todas as noites enquanto o vovô universitário mergulhava nos estudos, era a esposa dele quem preparava a xícara de leite e as bolachas. Durante todos esses anos foi ela quem levou e buscou o marido diariamente na faculdade e quem administrou sozinha as finanças de casa. Dona Lola entendeu que aquele era um sonho que o marido precisava realizar e abriu mão da única companhia que tinha nas manhãs, tardes e noites. Tudo para ver o companheiro feliz. Ela se emocionou ao contar tudo isso.
Seu Júlio conhecia as próprias limitações. Sabia que teria que se esforçar duas vezes mais que os colegas de classe para conseguir terminar o curso, era muito difícil assimilar tanta informação. Mas ele conseguiu.
O casamento desses personagens da vida real já durava 56 anos! Ao saber fiquei encantada. Era tempo demais para alguém que não conseguiu passar do primeiro ano. O segredo? Segundo eles, amor, amizade, companheirismo e lealdade.

O número de divórcios no Brasil cresce a cada ano. Por que? Onde está o erro?
Seria reflexo dessa época maluca, de relacionamentos frágeis, pessoas frágeis e corações frios? De mulheres perdidas diante da liberdade pela qual lutaram tanto e de homens mais perdidos ainda?

E hoje em dia, como é que se diz “Eu te amo”?

 

Adriana Perroni

* Os nomes são fictícios