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Faça uma criança feliz!

01/12/2009

Apesar da sensação estranha de finalização de uma etapa, eu gosto dessa época do ano. Nesse período eu realmente sinto que as pessoas estão mais receptivas, com o coração mais aquecido, estão como deveriam ser sempre, mais sensíveis e humanas.

Amigos, todos os anos os Correios recebem cerca de 1 milhão de cartas de crianças com até 10 anos de idade, endereçadas ao Papai Noel. Cada uma delas traz um pedido, um sonho, que quase sempre revela a dificuldade que esses pequenos enfrentam no dia-a-dia.

Semana passada eu tive a oportunidade de ir até a Sede dos Correios aqui em São Paulo e ler algumas dessas correspondências. É difícil não se emocionar. São letrinhas miúdas, quase sempre com muitos erros de português, típicos de quem aprendeu a escrever há pouco tempo. Muitas dessas crianças contam trechos da própria vida, outras expressam a vontade de ganhar um presente que os pais não podem comprar e há também quem escreva apenas para agradecer o presente que ganhou no ano passado. Essas cartas carregam tanta esperança que, acreditem, amolecem o coração dos adultos mais indiferentes.

Há mais de vinte anos funcionários solidários dos Correios começaram a adotar as cartinhas, compravam presentes para algumas dessas crianças. Esse trabalho bonito ganhou força e se tornou um projeto grandioso que acontece no país inteiro. A idéia é que todas as cartas sejam adotadas, que nenhuma criança fique sem o presente. Independentemente disso, o “Papai Noel” responde a todas elas.

O objetivo é não deixar o espírito de Natal morrer no coração das crianças.

Como mencionei, tive a oportunidade de ler algumas dessas cartas e adotei três. Uma delas é de um menino de 6 anos que pediu uma blusa de frio porque as dele estão velhas e pequenas. A outra é de uma garotinha de 8 anos que quer uma roupa para passar o Natal e a última, mais inocente ainda diz somente assim: “Papai Noel, gostaria muito de ganhar um panetone, mas se for muito caro, não precisa. Te amo.”  Muitas crianças pedem brinquedos (claro, são crianças),  mas muitas aproveitam para pedir roupa, panetone, guloseimas.

Pelo endereço das cartas é possível comprovar que são de regiões carentes. É feita uma triagem antes delas seguirem para adoção. Podemos ler e adotar quantas quisermos. Nosso único compromisso é levar os presentinhos para os Correios até o dia 15. Quem os entrega para as crianças é o Papai Noel! Fiz uma matéria sobre esse projeto e conversei com crianças que ganharam presentes no ano passado… Se vocês vissem o brilho nos olhos delas… É lindo.

Podemos adotar as cartinhas que mais tocarem nossos corações e as que pedirem presentes que temos condições de dar. É um ato simples de amor que  faz tantas crianças felizes!  A sensação de ajudar é muito boa, eu recomendo a todos.

Que tal então fechar o ano ajudando o próximo?

Eu não encontrei as informações sobre o projeto no site, mas quem quiser adotar uma cartinha pode entrar em contato com os Correios em qualquer uma das agências para saber quais delas participam.

É isso!

Boa quarta-feira!!!

Adriana Perroni

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O trem

30/09/2009

trem_45Ontem, ao voltar do trabalho para casa, lembrei-me de um poema que diz que somos como trens. Durante todo nosso percurso pessoas entram em nossas vidas, permanecem durante algum tempo e ficam pelo caminho, nas estações, à medida que suas missões conosco terminam. Algumas deixam ensinamentos, outras deixam boas lembranças e há também quem está apenas de passagem e sai sem ser percebido.

Não me prendo ao passado, acredito que tudo dura o tempo que deve mesmo durar, mas é bom recordar.  Os amigos de infância, os professores da escola, a turma do colégio, o primeiro namorado, personagens que ficaram guardados lá no fundinho da memória e que nos trazem boas sensações quando lembrados.

Resolvi arrumar a gaveta onde guardo tranqueiras antigas e encontrei alguns cadernos com mensagens escritas por amigos da escola. Até algum tempo atrás me perguntava onde estariam essas pessoas, que foram tão especiais para mim em algum momento da minha vida. O fenômeno “Orkut” minimizou essa perda de contato, mas é fato que neste percurso, muitos passageiros que embarcaram e já desembarcaram, ficaram mesmo pelo caminho. Não dá para encontrar quem não quer ser encontrado.  Ainda tenho também uma lista com os nomes e telefones de todos os colegas que terminaram o colegial (hoje, ensino médio) comigo. Na tentativa inocente de preservar o grupo, combinamos na época que faríamos reuniões anuais, mas isso nunca aconteceu. Fico feliz por pelo menos encontrar um ou outro caminhando pelo bairro de vez enquando.

Concordo com o poema ao qual me referi no início do texto. Nossas vidas são mesmo como trens e por mais que a viagem pareça longa, sabemos que é rápida demais. A verdade é que quando chegarmos ao fim da linha e enfim descermos na última estação, teremos apenas nossa vivência e aprendizado de elementos para avaliar se valeu ou não à pena. O resultado da equação depende não apenas de como aproveitamos cada momento, mas também do valor que demos ao que aprendemos com cada passageiro que participou conosco desta jornada.   

Boa semana!

Por Adriana Perroni

Elas não morrem…

12/08/2009

Eu e elaÉ engraçado perceber como a imagem que temos de nossas mães modifica com o passar dos anos. Mais engraçado ainda ver que mesmo as enxergando como humanas, elas continuam sendo quase perfeitas. 

Pena só refletirmos sobre nossas atitudes em relação a elas quando muito já se passou .

Eu faria tudo diferente com minha mãe se pudesse voltar no tempo. Teria sido menos peralta na infância, brigado menos com minhas irmãs, me alimentado melhor, estudado mais na época de escola, teria ouvido mais os conselhos dela. Eu teria dito que a amo, muito mais vezes.

Fico feliz por ainda poder contar com aquele abraço protetor e por ainda ter a chance de retribuir de alguma forma tudo o que ela dedicou a mim.  Minha mãe é a mãe que eu quero ser.

Faz algum tempo, eu estava a caminho do trabalho quando ouvi pelo rádio do celular a leitura de um texto sobre as mães. Achei tão bonito que, claro, vou compartilhá-lo com vocês. Ele fala sobre como matamos nossas mães durante a vida e sobre o momento em que elas vão embora de verdade. Já pensaram nisso?

“AS MÃES MORREM QUANDO QUEREM”

por Alexandre Pelegi

Eu tinha 7 anos quando matei minha mãe pela primeira vez. Eu não a queria junto a mim quando chegasse à escola em meu 1º dia de aula. Eu me achava forte o suficiente para enfrentar os desafios que a nova vida iria me trazer.

Poucas semanas depois descobri aliviado que ela ainda estava lá, pronta para me defender não somente daqueles garotos brutamontes que me ameaçavam, como das dificuldades intransponíveis da tabuada.

 Quando fiz 14 anos eu a matei novamente. Não a queria me impondo regras ou limites, nem que me impedisse de viver a plenitude dos vôos juvenis. Mas logo no primeiro porre eu felizmente a descobri rediviva – foi quando ela não só me curou da ressaca, como impediu que eu levasse uma vergonhosa surra de meu pai.

 Aos 18 anos achei que mataria minha mãe definitivamente, sem chances para ressurreição. Entrara na faculdade, iria morar em república, faria política estudantil, atividades em que a presença materna não cabia em nenhuma hipótese. Ledo engano: quando me descobri confuso sobre qual rumo seguir voltei à casa materna, único espaço possível de guarida e compreensão.

 Aos 23 anos me dei conta de que a morte materna era possível, apenas requeria lentidão… Foi quando me casei, finquei bandeira de independência e segui viagem. Mas bastou nascer a primeira filha para descobrir que o bicho ‘mãe’ se transformara num espécime ainda mais vigoroso chamado ‘avó’.Para quem ainda não viveu a experiência, avó é mãe em dose dupla…

 Apesar de tudo continuei acreditando na tese da morte lenta e demorada, e aos poucos fui me sentindo mais distante e autônomo, mesmo que a intervalos regulares ela reaparecesse em minha vida desempenhando papéis importantes e únicos, papéis que somente ela poderia protagonizar…

 Mas o final dessa história, ao contrário do que eu sempre imaginei, foi ela quem definiu: quando menos esperava, ela decidiu morrer. Assim, sem mais, nem menos, sem pedir licença ou permissão, sem data marcada ou ocasião para despedida.

Ela simplesmente se foi, deixando a lição que mães são para sempre.

 Ao contrário do que sempre imaginei, são elas que decidem o quanto esta eternidade pode durar em vida, e o quanto fica relegado para o etéreo terreno da saudade…

Lindo, não?

Adriana Perroni